Deputado Estadual Durval Ângelo

Histórias que vivi

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Uma palestra, um beijo e o meu casamento de 30 anos com Marília


Minha vida é marcada pelo esforço de constituir uma família e pela enorme militância social e política. Tudo muito misturado. Foi neste quadro que conheci minha mulher, Marília Campos. Estamos completando, no dia 28 de maio de 2013, 30 anos de casamento. No dia 28 de maio de 1983, estabelecemos uma união estável; casamos no Civil em dezembro de 1983 (Marília manteve o nome de solteira) e casamos no Religioso, mais recentemente, em 2009.

Nosso casamento foi rápido. Rapidíssimo. Morava em Belo Horizonte e viajei à Uberlândia para uma palestra sobre sindicalismo. A palestra foi um fracasso de público. Compareceram apenas três pessoas: a Marília e duas amigas, a Marcinha e a Gercina. Depois da palestra, voltamos para a República onde ela morava. Passei o dia todo pensando em uma forma de abordar a Marília e não tinha coragem. Ouvimos música, com destaque para a que marcou nossas vidas: “You've Got A Friend”, de James Taylor. Meu coração ficou ainda mais apertado, mas continuei sem coragem. Na despedida dela, meia hora antes da partida do ônibus, abordei-a de forma abrupta. Pedi-lhe um beijo. Ela concordou e me beijou.

Pensei comigo: “Ou abordo esta mulher agora, ou me arrependo para sempre”. São os mistérios da vida. Sem uma abordagem atabalhoada e abrupta ela não teria se aberto para mim. Marília reconhece isto. 

Nas duas semanas seguintes, trocamos cartas pelo Correio. Voltei à Uberlândia quinze dias depois daquele beijo e praticamente selamos o nosso casamento, em uma união estável. Nunca tinha visto Marília antes. Sabia apenas que ela era estudante de psicologia da Universidade Federal de Uberlândia e que era bancária do Credireal. E gostei do jeito dela. Só isso. Não foi nem mesmo o amor à primeira vista, já que esse tipo de amor acontece com um intenso envolvimento de duas pessoas em um período curto de tempo. Até porque morávamos em cidades diferentes e distantes uma da outra. Foi, na verdade, uma aposta na felicidade, que, acredito, deu certo.

Acredito, que eu mudei a vida da Marília e ela mudou a minha vida. Hoje, passados trinta anos de convivência, custo a acreditar que descobri uma mulher iluminada como ela da forma como as coisas aconteceram.

Nossos três filhos nasceram, literalmente, na luta política e social das quais participamos juntos. Marília estava no sétimo mês de gravidez da Natália naquela que foi a maior greve da história do sindicalismo bancário, em 1985, e a sua barriga ficava, inclusive, coberta de adesivos da greve. Ela estava no quinto mês de gravidez do Pedro em outra grande greve dos bancários, em 1988. E Marília estava no sétimo mês de gravidez do Vinicius na campanha de deputada estadual de 1998, quando, sem liberação do Bradesco, foi obrigada a trabalhar grávida no banco e fazer a sua campanha eleitoral nos horários vagos. Foram momentos como aqueles que firmaram em Marília a imagem de “mulher guerreira”.

Nestes 30 anos de casamento, tenho muitas razões para estar feliz. O amor, quase sempre, diminui com o passar do tempo. O que está acontecendo comigo é o contrário. Marília é uma mulher cada vez mais interessante e a cada dia eu gosto mais dela. Na verdade, sou desesperadamente apaixonado pela minha família: pela Marília e pelos meus três filhos: Natália, Pedro e Vinicius.

Me incomoda ser associado a um casamento modelo. Quero apenas que sejamos parte de um mosaico da vida. Respeito todas as famílias nas suas mais diversas formas. Famílias formadas por casais com relação duradoura / eterna, casais que buscam novas chances, casais com filhos e casais sem filhos, casais de sexos opostos ou do mesmo sexo. Famílias com pai ou mãe e filhos. Todas merecem o nosso respeito.

Nem mesmo em casa eu cito o meu casamento como modelo e exemplo a ser seguido. Beijar uma mulher e pedir-lhe em casamento em seguida dificilmente dará certo. Ainda que, em casos raros, possa dar certo....

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