Deputado Estadual Durval Ângelo

Histórias que vivi

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PT marcou posição, lançou Lula cinco vezes à presidência para fixar identidade do Partido e para mudar o Brasil


Sou da geração que fundou o PT. Nosso Partido marcou uma forte posição de diferenciação no seu processo de construção com os partidos tradicionais de centro e de direta. Se vinculou organicamente aos movimentos sociais, representando as demandas sociais de baixo para cima; adotou um modelo participativo e democrático de funcionamento interno; adotou um programa de mudanças sociais profundas; se recuou a compor alianças políticas amplas; se recusou a participar das eleições indiretas para presidente no Colégio Eleitoral, que elegeu Tancredo Neves / José Sarney; marcou posição nos processos eleitorais com candidaturas próprias, como no caso de Lula que foi candidato cinco vezes (1989, 1994, 1998, sendo eleito e reeleito em 2002 e 2006). 

Maria Inês Nassif reconcilia o PT com o seu passado

Reconciliar o PT com o seu passado não é uma tarefa fácil. Alguns que participaram da fundação consideram que o PT rompeu com seus princípios históricos. Muitos novos petistas e mesmo alguns velhos petistas consideram que as idéias iniciais do PT fazem parte de um “passado jurássico” que deve ser esquecido. Coube a uma não petista, a colunista política Maria Inês Nassif, reconciliar o PT com o seu passado.

Maria Inês, em coluna no jornal Valor Econômico, de 29/04/2010, afirma que as posições isolacionistas do PT no seu processo de criação teve um grande mérito de “fixar no eleitor a identidade do partido”. Disse ela sobre o PT: “Praticamente toda a primeira década do partido foi marcada por uma dinâmica interna de luta pelo poder que tendeu à radicalização. Isso manteve o partido isolado, o que seria mortal para uma organização política em início de carreira, mas o isolamento teve outro efeito, o de fixar no eleitor a identidade do partido. A estratégia camicaze de lançar candidatos para perder serviu ao seu propósito. E uma identidade forte de um líder carismático ajudou esse processo, num país sem tradição de partidos ideológicos. No final da primeira década, o PT era a opção obrigatória para alianças com os pequenos partidos de esquerda. Uma coesão parlamentar contraditoriamente fundada na divisão interna – a obrigação de defesa das posições da maioria – tornou o partido também o centro do bloco da esquerda parlamentar, para desespero da esquerda tradicional”.

Um diagnóstico que me deixa de alma lavada

Este diagnóstico me deixa aliviado. Concordo, no fundamental, com as alianças realizadas pelo PT para ganhar as eleições e governar o Brasil e diversos estados e municípios. Não tem como governar o Brasil sem o chamado “Presidencialismo de coalizão”. Mas sou saudoso também de nosso PT das origens, que fixou uma nova identidade e nova marca na política brasileira. O PT não seria o que é hoje, com uma gama de simpatizantes de 30% dos eleitores, maior que todos os demais partidos juntos; sendo o mais marcante junto aos eleitores (o partido alcançou 86% de lembrança ou “recall” em pesquisa Vox Populi sobre as marcas mais conhecidas no país) e nem teria condições de liderar uma ampla aliança que está mudando o Brasil, se não fosse o trabalho de milhares de homens e mulheres que se lançaram no processo de criação e consolidação do PT como um dos maiores partidos de esquerda do mundo. Temos muito orgulho de nosso passado. Como me diz a minha mulher, Marília Campos: “O PT foi no passado como uma criança que diz ‘não’ para construir a sua identidade”. Se na nossa infância partidária não tivéssemos dito tantos “não”, não seríamos o que somos hoje.

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