Deputado Estadual Durval Ângelo

Histórias que vivi

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O computador, o filho e o raciocínio que não termina


prata-livros

Estou fazendo 40 anos de militância política pelas transformações sociais do Brasil, de Minas Gerais e de nossa querida Contagem. Fazemos escolhas na vida, mas muitas vezes isto implica em perdas e limitações que nos cortam o coração. 

Em 1998, me dediquei intensamente a escrever o livro “Manual dos direitos sociais da população” e pesquisei também as lutas históricas que ajudaram nas conquistas de cada um destes direitos. 

Acontece que naquela época eu já trabalhava em casa em um escritório, que montei para prestação de consultoria aos movimentos sociais. Aí ficou tudo misturado: a militância social e política e a vida familiar. Até porque filhos, quando pequenos, consideram que pais que trabalham em casa não trabalham. Para as crianças menores, trabalhar significa trabalhar fora de casa.

No embalo da redação do livro, eu era procurado insistentemente pelo meu segundo filho, então com 9 anos de idade, que buscava carinho e afeto. E eu, sem perceber, durante dias não o acolhi com a mesma frase: “Agora não posso filho, estou no meio do raciocínio”. 

Certo dia, eu estava redigindo o livro no computador, meu filho sentou no meu colo, pegou o mouse e arrastou o texto e viu que o livro já tinha 180 páginas redigidas. Ele me falou: “Pai, o seu raciocínio não termina nunca”. 

Hoje, lembro este fato em casa e meu filho sorri e leva na brincadeira. Já eu sempre me emociono com aquela passagem de minha vida, procuro “concluir o raciocínio” e continuo tentando compatibilizar a vida familiar com a vida profissional e política.