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Minas Gerais

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Fernando Pimentel, no Valor Econômico: “Não faremos uma campanha de oposição frontal”. Vai dar certo esta estratégia?


O petista Fernando Pimentel lidera, com folga, as intenções de voto para o governo de Minas. Mas não será uma eleição fácil. Até onde tenho informações não existe um sentimento de mudança entre os mineiros, detectado em pesquisas quantitativas e sobretudo qualitativas, ainda que a aprovação de Antônio Anastasia nem de longe se aproxima daquela que tinha Aécio Neves quando o senador governou Minas Gerais.

Fernando Pimentel, diante deste quadro, traça um discurso de uma oposição moderada. Não fará “uma oposição frontal aos tucanos na campanha”. Ao invés de nacionalizar a disputa para o governo do Estado, prefere “mineirizar” a disputa, explorando a artificialidade da candidatura do tucano Pimenta da Veiga. Como alguém já disse: ao escolher uma estratégia de disputa “falta combinar com os adversários”. Os tucanos apostarão tudo na nacionalização da campanha para o governo de Minas, buscando conseguir uma boa vantagem sobre Dilma em Minas, levando de “roldão” o candidato Pimenta da Veiga.  A propaganda do PSD, aliado do PSDB em Minas, é apenas um aperitivo da linha de desconstrução que buscarão fazer de Dilma nas terras de Minas e, por extensão, também de Fernando Pimentel.

Penso que dificilmente o PT conseguirá evitar a nacionalização da eleição para o governo de Minas Gerais, sobretudo porque Dilma é de Minas e Aécio Neves fez carreira política no Estado. Precisamos nos antecipar a esta nacionalização, para evitar uma inflexão de última hora com a polarização já consolidada em favor dos tucanos. Veja a seguir o artigo do Valor Econômico com a entrevista com o petista Fernando Pimentel.


"Não faremos oposição frontal", diz Pimentel

 

 Por Marcos de Moura e Souza | De Belo Horizonte

Valor Econômico – 16/05/2014

O PT vai evitar críticas mais duras ao PSDB na campanha deste ano ao governo de Minas Gerais. É o que afirma o pré-candidato petista, Fernando Pimentel, que pela primeira vez põe seu partido num cenário em que aparece com chances reais de vitória no Estado.

Minas é governada por tucanos desde 2003 e é a base eleitoral do senador Aécio Neves (PSDB), principal candidato de oposição na disputa presidencial. Aécio foi eleito e reeleito governador do Estado e fez seu sucessor, Antonio Anastasia (PSDB). Em abril, Anastasia renunciou para poder se candidatar ao Senado. Desde então, o PP, aliado no Estado ao grupo de Aécio, comanda Minas.

"Não vamos fazer críticas, entrar chutando o balde", disse Pimentel em entrevista ao Valor PRO em um restaurante de Belo Horizonte na tarde da terça-feira. "Não é preciso fazer uma campanha de oposição frontal."

O petista diz que tentará trazer para seu lado eleitores que hoje aprovam o governo construído pelo PSDB. E diz que não quer passar a imagem de que um eventual governo petista representará uma guinada.

"Não estou preocupado em marcar diferença com ninguém. E não vamos interromper qualquer experiência que tenha sido adotada e que tenha se mostrado vitoriosa, benéfica para o Estado", disse ele ao ser perguntado se planeja uma inflexão.

É um discurso que deixa o eleitor no Estado à vontade para repetir um comportamento que adotou nas eleições de 2002, 2006 e 2010. Nas duas primeiras, a maioria dos mineiros votou Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para presidente e em Aécio para governador; depois a maioria votou em Dilma Rousseff, que tenta a reeleição este ano, e em Anastasia. As combinações ganharam apelidos de chapas "Lulécio" e "Dilmasia".

Quais as chances de uma chapa "Aementel" ou "Pimentelcio" este ano? Pimentel ri e sinaliza que vê esse cenário como plausível.

"Tem gente que fala isso de vez em quando. Mas isso, se surgir, surgirá do eleitor. Da nossa parte não vai surgir, tampouco da parte dos tucanos. Ninguém vai fazer campanha nessa direção", diz. Sua tese é que o mineiro é um eleitor arguto. "Ele não abraça a análise que o partido A, B ou C faz para ele. Ele faz a análise dele e isso pode reservar alguma surpresa desse tipo."

No PT mineiro, críticos mais contundentes do PSDB, chamam Pimentel de o mais tucano dos petistas. Em 2008, ele - então prefeito de Belo Horizonte - e Aécio - então governador de Minas - se alinharam para lançar Marcio Lacerda (PSB) à prefeitura. Lacerda venceu. Em 2012, nas eleições municipais, Pimentel insistiu, contra uma ala numerosa do PT, que o partido devia abrir mão de candidatura e apoiar, ao lado dos tucanos, a candidatura de Lacerda. O PT acabou lançando Patrus Ananias; Pimentel ficou mal visto entre correligionários e Lacerda foi reeleito de mãos dadas com Aécio.

Mas agora Pimentel tem o partido unido em torno de sua campanha. Ele é o favorito segundo todas as pesquisas de intenção de voto divulgadas até agora em Minas. A última, da MDA, divulgada em outubro, dava a ele de 39,7% a 42,2% (sem considerar o cenário que incluía Lacerda, que, no mês passado, disse que não disputaria o governo). Pesquisas internas continuam mostrando, segundo o PT, resultados bastante positivos.

Pimentel caminha para ter em sua chapa dois peemedebistas: o ex-ministro da Agricultura Antonio Andrade, como vice, e como candidato ao Senado, o empresário Josué Gomes da Silva, da Coteminas, e filho de José Alencar (morto em 2012), que foi vice de Lula. Ontem, Pimentel e Andrade e Josué estiveram num encontro do PCdoB em Belo Horizonte. O PT conta que formará aliança com PMDB, PRB, PCdoB e Pros.

O candidato que rivalizará com o petista é Pimenta da Veiga, do PSDB, que, nas pesquisas de outubro, oscilava, dependendo dos cenários, de 11,4% a 12,7%. Os tucanos põem fé que a campanha de Aécio puxe votos para Pimenta. Pimentel relativiza e diz que se o candidato a presidente exercesse mesmo essa influência nos Estados, o PT teria eleito governadores em Minas nas últimas três eleições.

Veiga foi ministro das Comunicações do governo do tucano Fernando Henrique Cardoso (1995 a 2002) e desde então estava fora da vida partidária.

Ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior de Dilma até o início do ano, Pimentel já fez 12 viagens por Minas desde que deixou a Esplanada para, segundo diz, ouvir demandas e sugestões que o ajudarão o programa de governo. Ele afirma já ter pronta a ideia central de sua estratégia de campanha. "Vamos trazer os mineiros para a reflexão com um programa de governo fruto de audiências, caravanas", diz "A campanha vai ter esse condão: eu não quero que mude nada em Minas Gerais ou será que não está tão bom assim?"

O ex-ministro sobe no muro quando perguntado se o fato de ter sido ministro de Dilma - cuja aprovação está em queda - é vantagem ou desvantagem para ele na disputa em Minas. "Não acho que seja nem uma coisa nem outra. É um dado. Para os que já rejeitam o PT, esse é mais um elemento contra sua campanha. E vice-versa", diz. E acrescenta: "Mas eu acho não existe essa indução. Não acho que isso pese tanto não."

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