Deputado Estadual Durval Ângelo

O Brasil do PT e o do PSDB

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Fantasmas do passado – 20. Investimento na produção (taxa média anual - % PIB): FHC, 1,15% X Lula e Dilma, 5,99%


José Prata Araújo

Todo o debate da política econômica travado pela oposição, em especial pelo tucano Aécio Neves e seu guru Armínio Fraga, centra na crítica à política econômica dos governos Lula e Dilma, que supostamente estaria prioritariamente o consumo em detrimento dos investimentos. É muita cara de pau dos tucanos e de Armínio Fraga, como pode ser visto na tabela. É o contrário: foram os tucanos que destroçaram a capacidade de investimento de nossa economia.

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Investimento e consumo das famílias: o passado condena os tucanos

Armínio Fraga, ex-presidente do Banco Central de FHC e coordenador de programa do tucano Aécio Neves, escreveu junto com Marcos Lisboa um artigo, na Folha de S.Paulo, de 25/05/2014, que é um primor de demagogia. Disseram eles: “A política econômica retornou ao centro do debate com seu sucesso em estimular o consumo, porém não o investimento e o crescimento. Pouco se discute o lado da oferta, onde se encontra o maior desafio: aumentar a produtividade da economia, essencial para a convergência dos padrões de vida da população aos dos países mais ricos”.

Que autoridade tem estes dois senhores para fazerem estas críticas aos governos do PT? Nenhuma. Armínio Fraga, especialmente, foi presidente do Banco Central durante 1999 a 2002 e sua gestão e de toda a área econômica fracassou no crescimento, no consumo das famílias e na taxa de investimentos. Veja a tabela: em toda a gestão de FHC, o PIB médio foi de 2,32%, o consumo das famílias foi de 2,65%, e a taxa de investimento não cresceu quase nada: foi de apenas 1,15%. Como cresceu abaixo do PIB, a taxa de investimentos recuou 24% no governo FHC de 20,81%, em 1994, para 15,72% em 2002.

Vamos desagregar a era FHC nos anos em que Armínio Fraga era o todo poderoso presidente do Banco Central, de 1999 a 2002. Naquele período, os números de nossa economia foram ainda mais sofríveis. O crescimento do PIB foi de 2,13%; o consumo das famílias apresentou crescimento de 1,76%; e a taxa de investimento foi negativa de -1,99% ao ano. É este cara de pau, que agora critica os governos Lula e Dilma por “não priorizarem os investimentos”.

Com Lula e Dilma, investimentos cresceram 5,99% e consumo, 4,13%

Numa longa matéria no final de novembro de 2013, o jornal Valor Econômico discute o que é, afinal, lidera o crescimento de nossa economia. Afirmou o jornal: “Economistas divergem sobre qual tem sido o motor do crescimento da economia brasileira. Na média dos últimos 11 anos e em uma análise sobre a variação acumulada de 2003 a 2013, o investimento lidera, argumentam, com diferentes planilhas, um grupo de economistas. A baixa taxa de investimento em relação ao PIB e a maior contribuição do consumo para o PIB sustentam o argumento do segundo grupo, que refuta a indução pelo investimento e entende que é o consumo que tem puxado o crescimento.(...) "Difundiu-se a ideia de que o crescimento da economia brasileira é puxado pelo consumo. Isso está errado", disse Nelson Barbosa, ex-secretário-executivo do Ministério da Fazenda e professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), durante palestra na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), no início do mês.

Continua o Valor Econômico: “Numa análise de longo prazo, Barbosa se contrapõe à visão corrente de que o crescimento econômico dos anos Lula e dos três primeiros anos da presidente Dilma Rousseff foram empurrados, sobretudo, pelo consumo”. “Apesar das políticas que incentivaram e ainda incentivam o consumo, para o ex-secretário - ele deixou o governo em junho -, no período 2003-2012, o consumo das famílias 'puxou' o crescimento da economia, ou seja, cresceu mais do que o investimento, só em quatro momentos (2003, 2005, 2009 e 2012). O investimento, por outro lado, aumentou mais do que o consumo em seis anos (2004, 2006, 2007, 2008, 2010 e 2011)”. Também em 2013, os investimento superou o consumo das famílias.

O economista Nelson Barbosa trabalhou com dados acumulados do período de 2003 a 2013. Na tabela trabalhamos  com dados médios, mas as conclusões são as mesmas. Em sete dos onze anos analisados, os investimentos nos governos Lula e Dilma superaram o consumo das famílias. E a taxa média do período indica crescimento de 5,99% dos investimentos contra 4,13% do consumo das famílias. Outro dado importante é que a taxa de investimento (5,99%) subiu acima do crescimento do PIB (3,52% ao ano). Com isso, nos governos Lula e Dilma, a taxa de investimento passou de 15,72%, em 2002,  para 17,92%, em 2013.

Não podemos permitir a volta dos fantasmas do passado na economia brasileira. Os tucanos fracassaram na economia real, na taxa de crescimento, nos investimentos, no consumo das famílias, na concessão de crédito e na geração de empregos. Quando Aécio Neves e Armínio Fraga falam na volta da confiança para a retomada do investimento, eles estão mentindo. A confiança que pretendem é do mercado financeiro, onde são campeões, como as taxas de juros de até 45% de Armínio Fraga, em 1999. O Brasil não quer voltar atrás!

Como disse o presidente do PT, Rui Falcão: “A sociedade brasileira quer mudar, mas pensando no futuro e não em um passado que ela repudiou de forma reiterada e contundente nas três últimas eleições presidenciais”.

Veja outros posts da série “Futuro X Passado” no www.blogdojoseprata.com.br, seção “O Brasil do PT e o do PSDB”.