Deputado Estadual Durval Ângelo

Política

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Dilma: "Não se trata do primeiro escândalo da história do Brasil, mas do primeiro da nossa história que é investigado"


O Blog Conversa Afiada realizou uma síntese do importante pronunciamento de Dilma sobre o escândalo na Petrobras: “Ainda na Austrália, onde participou da reunião dos 20 maiores países do mundo e se encontrou com os BRICS, para tratar do Banco de Desenvolvimento,   a Presidenta Dilma Rousseff enfiou a Lava Jato pela goela do FHC e do Aecio Never:

“Pela primeira vez na História do Brasil” uma corrupção está sendo investigada.
 
(Podia ter dito também que, quando foi investigada, antes, como na Satiagraha e na Castelo de Areia, os corruptores deram um jeito de suspender, provisoriamente, sua aplicação. O Ministro Fux está para legitimar a Satiagraha com o julgamento da RE 680967 )

Para Dilma, o escândalo será um marco: “Eu acho, de fato, que isso pode mudar o país para sempre. Em que sentido? No sentido de que se vai acabar com a impunidade. Este é, para mim, a característica principal desta investigação”.

- E talvez sejam esses escândalos que não foram investigados (e que eram engavetados nos plúmbeos anos do FHC – PHA) que são responsáveis pelo que aconteceu na Petrobras.

- Eu acho que (a Lava Jato) mudará para sempre as relações entre a sociedade, o Estado e as empresas privadas. O fato de nós, neste momento, estarmos vendo isso investigado de forma absolutamente aberta é um diferencial imenso.

- Quem praticou atos ilícitos vai ter que ser punido.

- Você não vai acreditar, não é, que nós tivemos (agora) o primeiro escândalo da nossa história. Nós tivemos o primeiro escândalo de nossa história investigado. Há aí uma diferença substantiva.
 
(Poderia ter falado da compra da reeleição que o Palmério Dória conhece como ninguém, do SIVAM, da desbragada Privataria Tucana, do trensalão, do mensalão tucano, da Pasta Rosa, do afundamento da P-36, e das três ações que correm contra o Aecio Never )

- É uma investigação que vai necessariamente colocar à luz todos os processos de corrupção, inclusive de uso internacional de algumas atividades. Isso ela vai.

- Não é monopólio da Petrobras ter processos de corrupção – disse, lembrando que um dos maiores casos de corrupção investigados no mundo foi da gigante de energia americana Enron, que faliu.

- Nem todos, aliás, a maioria absoluta, quase, dos membros da Petrobras, não é corrupta. Agora, tem pessoas que praticaram atos de corrupção dentro da Petrobras. Mas não se pode pegar a Petrobras e condenar a empresa. O que temos que condenar são pessoas. Pessoas dos dois lados: corruptos e corruptores.

Crise fortalece tese da reforma política

A crise na Petrobrás poderá fortalecer a agenda da reforma política. Até agora, as denúncias tem sido feitas de forma seletiva contra o PT e o governo Dilma. Mas na medida que as denúncias e prisões chegaram também aos executivos e donos das grandes empreiteiras, tudo indica que todo o financiamento de campanha eleitoral – de todos os grandes partidos – está sob questionamento. É isto o que escreveu Ilimar Franco, de O Globo na nota Corrupção e financiamento eleitoral. Disse ele: “O governo Dilma e os partidos que o sustentam, sobretudo o PT e o PMDB, vão pagar a conta do escândalo Petrobras. Mas analistas políticos avaliam que os desdobramentos da Operação Lava-Jato serão mais amplos. As empreiteiras financiaram cerca de 200 deputados eleitos de 23 partidos. No Brasil, as grandes empresas doam para candidatos de todas as legendas, e dinheiro não tem carimbo. Não há quem possa dizer que “a minha doação é honesta e a do meu adversário é fruto de roubo”. O financiamento eleitoral está nu. Sai fortalecida a posição, de seis ministros do STF, que declara inconstitucional o financiamento eleitoral pelas empresas. A reforma do processo político virou uma necessidade urgente”.

A mudança, a polícia e a política

Esta visão de que a crise na Petrobrás poderá fortalecer a reforma política, é recebida com desconfiança por parte de alguns blogueiros de esquerda. É o caso de Saul Leblon, da Carta Maior, que escreveu um longo artigo mostrando o perigo, com base na experiência da “Operação Mãos Limpas” da Itália, do enfraquecimento dos partidos políticos levar a um retrocesso como foi o caso do longo  período de governo de Sílvio Berlusconi após processo de depuração do sistema político italiano. Fernando Brito, do Tijolaço, afirma que o que muda o país não é a polícia, mas a política. Escreveu ele: “Não é possível mudar o Brasil simplesmente trocando os ocupantes do sofá político. Neste caso, a mudança não se dará, como já provaram os fatos, com a troca das pessoas que se aboletam no conforto do dinheiro que vira voto e do voto que não se conquista sem dinheiro”.(...) “Se o governo Dilma quiser, como diz a presidente, não deixar “pedra sobre pedra” em matéria de corrupção, como o país quer e exige, não há desafio maior que a reforma política”. “E essa será combatida pelos que se penduram no moralismo seletivo, onde o que menos importa é eliminar a corrupção, mas os que se envolveram e, sobretudo, os que se conseguir envolver, com os métodos mais inescrupulosos, com ela”. (...) “Se a direita e a mídia já fizeram algo no Brasil foi, sem dúvida, acabar com a democracia, não com a corrupção”.

A linha política adotada por Dilma não é consenso na esquerda. Publicamos dois posts neste Blog. Um primeiro de Miguel do Rosário, em apoio ao rumo político que está sendo adotado por Dilma; e um segundo de Fernando Brito com sérias desconfianças com a estratégia da presidenta.